VÃDEO: Assista ao novo vÃdeo do Pearl Jam, “Amongst The Waves”
Abaixo você confere o novÃssimo vÃdeo clip do Pearl Jam, para a música “Amongst The Waves“, que faz parte de seu álbum mais recente, “Backspacer“.
O vÃdeo faz parte da “Conservation International’s Ocean Campaign” e será vendido a partir de hoje, 6 de Julho, pelo iTunes. Obviamente todo o fundo será convertido em prol desta iniciativa.
Para saber mais sobre a campanha você pode visitar os sites: conservation.org/marine e pearljam.com/oceans.
Fique agora com o belÃssimo vÃdeo de “Amongst The Waves“.
“There is only one Ocean for everyone. Look after it for present and future generations.”
Pearl Jam Oceans from Pearl Jam on Vimeo.
CD REVIEW: Rhapsody of Fire – “The Frozen Tears of Angels”
Os jornalistas especializados gostam de chamar os caras de “power metal sinfônicoâ€. Uma parte dos fãs de metal brinca (alguns em tom até elogioso, outros em tom sacana) dizendo que eles fazem “nerd metal†e/ou “RPG metalâ€. E os próprios músicos já se auto-intitularam “Hollywood Metal†ou “film score metalâ€. Não importa o rótulo: quando se fala na banda italiana Rhapsody of Fire, já dá para saber que tipo de som vamos ouvir. Se você não gosta do gênero, portanto, que fique claro que é bom fugir de “The Frozen Tears of Angelsâ€, o mais novo disco de Luca Turilli e seus comandados. Mas para quem gosta, a notÃcia não poderia ser melhor: estamos falando daquele que é o melhor álbum deles desde “Dawn of Victoryâ€, o grande destaque de sua discografia. Sim, senhor, pode comemorar erguendo aos céus seu machado para matar dragões. O Rhapsody of Fire voltou mais épico, mas bombástico e, por que não dizer, mais heavy metal.
Nota: 9,5
“The Frozen Tears of Angels†é a terceira parte da “Dark Secret Sagaâ€, nova história de fantasia medieval de inspiração tolkieniana que vem permeando a obra do grupo. A saga conceitual começou em “Symphony of Enchanted Lands II: The Dark Secret†(2004), de longe o mais ambicioso e megalomanÃaco disco da trajetória do Rhapsody, inflado de orquestrações, corais e demais recursos aos quais a banda só foi ter acesso com a superprodução de Joey DeMaio (baixista do Manowar).
Logo depois, foi a vez de “Triumph or Agony†(2006), bem menos deslumbrado, menos trilha sonora e mais metal, do jeito que deveria ser. Mas a banda ainda estava retornando aos eixos, retomando as rédeas da própria carreira depois dos muitos problemas profissionais envolvendo a relação com DeMaio e sua gravadora, a Magic Circle. “Triumph or Agony†ainda era um Rhapsody vacilante, tentando reencontrar a própria personalidade. Com “The Frozen Tears of Angelsâ€, a pompa e a circunstância estão presentes como sempre, ou este não seria um disco do Rhapsody, claro. Mas o sexteto enfim põe novamente os pés no chão, colocando orquestrações e afins como acessórios para a música, e não o contrário. A principal estrela é a guitarra acelerada de Turilli, que continua tocando na velocidade da luz. Escute a instrumental “Labyrinth of Madness†e me diga se ele não está completamente em casa.
Para quem estava com saudades de canções como “Holy Thunderforceâ€, com aquele jeitão de hino épico como só o power metal nos proporciona, prepare-se: as ótimas “Crystal Moonlight†e “Raging Starfire†estão aqui para isso, com as doses certas de peso, melodia e refrões para sair cantando junto no minuto seguinte. No entanto, para provar que os caras não estão aqui para brincadeira, recomendo a audição de “Reign of Terror†– canção que tem lá seus corais e demais firulas, tudo bem. Mas que também é uma porrada veloz e furiosa, de guitarras quase thrash metal e com Fabio Lione cantando de maneira agressiva como quase nunca se ouve.
Em “The Frozen Tears of Angelsâ€, o Rhapsody of Fire ainda manteve uma caracterÃstica tÃpica dos últimos discos e que vem se mostrando um acerto considerável: a obrigatória canção cantada em italiano. É o idioma natal dos caras e, vamos ser bem sinceros, pelo menos até agora tem encaixado muito bem com a sonoridade metálica. Aqui, temos a bonitinha “Danza di Fuoco e Ghiaccioâ€, uma espécie de balada de inspiração celta a la “Village of Dwarvesâ€, que com certeza deve entrar no repertório das apresentações ao vivo da banda.
No fim das contas, para provar que este Rhapsody of Fire é uma banda de energias renovadas, que achou sua própria cara novamente mas que continua soando, afinal das contas, como os fãs sempre quiseram que o Rhapsody of Fire soasse, eles deixaram a faixa-tÃtulo para o final. E estamos falando de uma composição enorme (com seus mais de 10 minutos), com diversas viradas, quebradeiras na bateria, longos e emocionados riffs…Se isso não é o Rhapsody of Fire mais puro e genuÃno, juro que não sei dizer o que é.
Os anjos podem estar chorando. Mas os fãs do som do Rhapsody of Fire estão rindo à toa. E é isso que importa.
Line-Up:
Fabio Lione- Vocal
Luca Turilli – Guitarra
Dominique Leurquin – Guitarra
Patrice Guers – Baixo
Alex Holzwarth – Bateria
Alex Staropoli – Teclado
Tracklist:
1- Dark Frozen World
2- Sea of Fate
3- Crystal Moonlight
4- Reign of Terror
5- Danza di Fuoco e Ghiaccio
6- Raging Starfire
7- Lost in Cold Dreams
8- On the Way to Ainor
9- The Frozen Tears of Angels
10- Labyrinth of Madness
11- Sea of Fate (Orchestral Version)
CD REVIEW: Slayer – “World Painted Blood”
Se a discografia do Slayer fosse colocada em um daqueles gráficos que o mundinho corporativo tanto adora, seria possÃvel ver bem nÃtidos dois picos e um vale. O primeiro pico, é claro, seria o perÃodo entre a década de 80 e o comecinho da década de 90, com discos clássicos como “Show no Mercyâ€, “Hell Awaits†e o mais do que histórico “Reign in Bloodâ€. Até 1998, no entanto, seria possÃvel ver uma queda considerável na produção – que, em 2001, voltaria a formar um outro pico a partir de “God Hates Us Allâ€. Quando a formação clássica se reuniu novamente em “Christ Illusion†(2006), então, o nÃvel de qualidade cresceu ainda mais, para o bem dos ouvidos de quem gosta de um thrash metal com as mesmas doses de fogo e fúria de outrora. “World Painted Blood†chega justamente para manter o padrão lá em cima. O quarteto californiano continua em forma como nunca, fazendo o inferno como sempre.
Nota: 9
Parte da imprensa musical apressou-se em dizer que “World Painted Blood†é o mais melódico dentre os recentes lançamentos do Slayer. A afirmação faz sentido – mas não pode ser interpretada fora de contexto. Quando se fala em melodia, é bom que se trace um paralelo direto, talvez, com “Seasons in the Abyssâ€. Sim, é possÃvel entender claramente o que Tom Araya canta, como dá para perceber logo pela faixa-tÃtulo que abre “World Painted Blood†ou mesmo na estilosa e cadenciada “Beauty Through Orderâ€. Mas que isso não signifique que a banda abriu algum tipo de concessão e ficou, digamos, mais leve. Bem longe disso. Dá para perceber mais nitidamente a interpretação de Araya? Dá. Mas o cara continua vociferando como um animal. Ainda bem.
O que vemos em “World Painted Blood†é sim um Slayer que, mesmo depois de décadas, ainda está pisando no acelerador e sem qualquer pretensão de recorrer aos freios. No álbum, existe espaço para o clima sombrio que uma “Playing with Dolls†permite criar, refletindo a esperança de um futuro apocalÃptico e cheio de gritos de horror para nossas crianças (nada mais Slayer, vamos ser sinceros). Mas basta escutar a trinca “Snuffâ€, “Public Display Of Dismemberment†e “Psychopathy Red†para perceber que temos aqui uma banda a 250 km/h, com King e Hanneman destruindo as cordas de suas guitarras e Lombardo comprovando que ainda é um dos mais exÃmios e talentosos bateristas do planeta.
A respeito dos temas abordados nas letras, por sinal, o Slayer continua sem afinar. “Americonâ€, um dos pontos mais altos de “World Painted Bloodâ€, é uma porrada no queixo, de estadunidense para estadunidense, sobre uma nação infectada pela ganância e que mergulha os fracos em um banho de sangue – porque, afinal “it’s all about the mother fucking oilâ€, como bem sabe a BP. E ao final, eis que surge “Not Of This Godâ€, a mais do que aguardada patada do quarteto a respeito de seu assunto predileto: religião. Deixemos aqui a letra da canção falar por si mesma: “Holy water empty threat, the holy cross has no effect / I piss on any object of virtue, crucifix and rosaries / A world of insecurities, keep waiting for your soul to be rescued / You’ll see no bright tomorrow, a promise of more sorrow / You call him the messiah, I see a reckless fashion based on metal slaveryâ€. Sem meias-palavras.
É bem sintomático perceber que: 1) o Slayer não pára de colocar no mercado discos de extrema categoria (ou seria de “categoria extremaâ€?); 2) o Metallica parece ter encontrado o caminho para a redenção com “Death Magnetic†– que, se não é perfeito, pelo menos é uma melhora considerável; e 3) o Megadeth lançou o fenomenal “Endgameâ€, sua melhor bolacha em uma década. Só falta agora o Anthrax desencantar e se resolver logo com seus novos/velhos vocalistas para enfim lançar um disco novo e provar que, por mais que os crÃticos de plantão detonem, os big four continuam firmes e fortes comandando o heavy metal dos EUA. E que a molecada corra atrás do prejuÃzo.
Line-Up:
Tom Araya – Vocal/Baixo
Kerry King – Guitarra
Jeff Hanneman – Guitarra
Dave Lombardo – Bateria
Tracklist
01. World Painted Blood
02. Unit 731
03. Snuff
04. Beauty Through Order
05. Hate Worldwide
06. Public Display Of Dismemberment
07. Human Strain
08. Americon
09. Psychopathy Red
10. Playing With Dolls
11. Not Of This God
CD REVIEW: Steel Panther – “Feel the Steel”
Antes de qualquer coisa, dizer que o Steel Panther é o “Massacration gringo†é, além de uma afirmação preguiçosa, um erro conceitual. O Massacration é um projeto musical que surgiu a partir de uma piada de um grupo de humoristas televisivos, sendo que alguns deles também são fãs de heavy metal. No caso do Steel Panther (que anteriormente atendeu por nomes como Danger Kitty, Metal Shop e Metal Skool), estamos falando de músicos por natureza, que atuaram ou atuam em diversas bandas da Sunset Strip, que fazem parte de uma cena e resolveram tirar um barato de si mesmos e também de todos os amigos ao seu redor. O resultado é um hard rock com sabores nÃtidos da década de 80, com peso, laquê, lenços, batom e calças apertadinhas com estampas animais. As letras, obviamente, são uma metralhadora de piadas sexuais de duplo sentido e referências claras ao “sexo, drogas e rock ‘n roll†do dia a dia de Poison, Mötley Crüe, Skid Row e toda aquela galera. Seu segundo disco, “Feel the Steelâ€, o primeiro com o nome definitivo do grupo, consolidou sua sonoridade e tornou a piada ainda mais divertida. E a música muito melhor, claro. Até os mal-humorados que não gostam deste tipo de sátira desde a época do Spinal Tap vão ter que engolir: independentemente da piada, a música é muito boa. Mesmo.
Nota: 9,5
O vocalista Ralph Saenz, que no Steel Panther atende pelo nome de Michael Starr, já fez parte de uma famosa banda tributo ao Van Halen da era David Lee Roth, o Atomic Punks. Mais tarde, no EP “Wastedâ€, chegou inclusive a assumir os vocais do LA Guns. Já o guitarrista Russ Parrish também toca em seu projeto próprio, The Thornbirds, e na banda Electric Fence, do guitarrista Paul Gilbert (Mr.Big/Racer X). E estas são apenas algumas das credenciais do quarteto que abre o álbum “Feel the Steel†em altÃssima octanagem, com a poderosa “Death to All But Metalâ€, o primeiro single. O tÃtulo da canção já entrega: trata-se de uma exaltação daquelas ao metal, com muitas frases de efeito Manowar-style e as devidas sacanagens reservadas para nomes como Britney Spears, Madonna, Mariah Carey, Blink 182, Goo Goo Dolls, Eminem e ainda para as gravadoras e para a MTV.
Claro, é preciso que se diga: o humor dos caras é muito bom, mas não preza exatamente pela sutileza. O que eles sugerem que 50 Cent e Kanye West façam entre si está longe de ser gracioso. Estamos falando de uma veia satÃrica mais próxima daquelas comédias norte-americanas cheias de piadas escrotas (uma versão metálica de “Se Beber Não Caseâ€, sacou?) do que para o non-sense inglês do Monty Python. Mas, de vez em quando, bem que a gente precisa de um tempinho para deixar o cérebro do lado de fora e relaxar com fartas doses de besteirol. E, de preferência, não infectado pela sempre vigilante patrulha do politicamente correto.
O tema preferido dos rapazes, obviamente, é o sexo. Em “Asian Hookerâ€, com participação de Scott Ian, guitarrista do Anthrax, eles relembram as peripécias de uma prostituta oriental. Já em “Fat Girlâ€, Starr relata toda a sua paixão, em um refrão com um daqueles coraizinhos cheios de “ô ô ô ôâ€, por uma garotona acima do peso. A baladinha de inspiração country “Girl from Oklahoma†é o retrato de uma groupie que adentrou o ônibus da banda e mostrou que era muito mais do que uma menina do interior. E na ótima “Eatin’ Ain’t Cheatinâ€, os músicos tentam convencer suas parceiras de que, durante as turnês, um pouco de sexo oral nos bastidores não pode ser considerado traição, não é mesmo?
Justin Hawkins, ex-vocalista do The Darkness e atualmente no Hot Leg, traz seus agudos para reforçar ainda mais o clima festivo de “Party All Dayâ€, canção de pegada sobre o que rola nos camarins do rock de Hollywood com um refrão simplesmente irresistÃvel e que ecoa os mascarados do Kiss – só que um pouco mais mal-educados, por assim dizer. O melhor momento de “Feel the Steelâ€, no entanto, fica reservado para a power ballad “Community Propertyâ€. Todo romântico, Starr emula o estilão do Bon Jovi na maior cara de pau, se derretendo em uma declaração de amor rasgada a sua amada. Mas ele deixa bem claro: “posso ser todo seu, mas minhas partes baixas são de domÃnio públicoâ€. Meninos do tal happy rock: é assim que se faz uma canção apaixonada de verdade.
Com o riff furioso e a levada Mötley Crüe de “Hell’s On Fireâ€, o disco se encerra em altÃssimo nÃvel, tão bom quanto começou. E provando, mais uma vez, aos fundamentalistas xiitas que uma coleção de boas canções de heavy metal podem ser ao mesmo tempo pesadas e divertidas. Bater cabeça e dar risada são coisas que combinam bastante – porque, afinal de contas, vamos combinar: ninguém agüenta mais esta sua cara de malvadão, escondida por trás dos cabelos compridos. Deixe um sorriso aparecer no seu rosto. O Steel Panther pode fazer isso por você.
Line-Up
Michael Starr (Ralph Saenz) – Vocal
Satchel (Russ Parrish) – Guitarra
Lexxi Foxxx (Travis Haley) – Baixo
Stix Zadinia (Darren Leader) – Bateria

Tracklist
1- Death to All But Metal (com Corey Taylor, do Slipknot)
2- Asian Hooker (com Corey Taylor, do Slipknot, e Scott Ian, do Anthrax)
3- Community Property
4- Eyes Of A Panther (com Corey Taylor, do Slipknot)
5- Fat Girl (Thar She Blows)
6- Eatin’ Ain’t Cheatin’
7- Party All Day (Fuck All Night) (com Justin Hawkins, do Hot Leg)
8- Turn Out the Lights (com M. Shadows, do Avenged Sevenfold)
9- Stripper Girl
10- The Shocker
11- Girl From Oklahoma
12- Hell’s On Fire
Clipes raros do Rancid

A banda punk Rancid disponibilizou 2 clipes raros na internet: “Poison” do disco Rancid 2000 e “Crane Fist” do disco Life Won’t Wait. Confira a seguir:
Assista a emocionante coletiva do Slipknot sobre a morte de #2

Abaixo você confere o vÃdeo e fotos da emocionante coletiva de imprensa que a banda Slipknot deu nesta terça-feira, sobre a morte do baixista Paul Dedrick Gray. A banda compareceu sem máscaras diante da imprensa.
Após a necrópsia do corpo de Gray, a polÃcia declarou-a como inconclusiva.


(Fotos: AP)
Morre Paul Gray, Baixista do Slipknot
Mais uma triste perda no mundo do rock. Foi encontrado hoje, aos 38 anos, Paul Dedrick Gray – mais conhecido como #2 ou “The Pig” – baixista da banda de heavy metal Slipknot.
Gray foi encontrado morto, sozinho em um quarto de hotel no estado de Iowa nesta segunda-feira. A causa da morte ainda não foi divulgada.
Número 2 foi preso em 2003 por posse de cocaÃna e maconha após um acidente automobilistico. A esposa de Paul Gray está esperando o primeiro filho do casal.
Maiores informações serão postadas assim que divulgadas pela polÃcia de Iowa.
Abaixo você confere como uma pequena homenagem ao #2, que além de baixista era um dos fundadores e idealizadores do Slipknot. Assista “Psychosocial” do último álbum da banda, “All Hope Is Gone“:
Morre Ronnie James Dio

O Music Boulevard já havia noticiado anteriormente que Ronnie James Dio, vocalista de bandas como Black Sabbath, Dio e Heaven & Hell estava lutando contra um câncer de estômago desde Novembro do ano passado.
Hoje o mundo recebeu a notÃcia de que Dio não resistiu e faleceu hoje, 16 de Maio à s 7h45 aos 67 anos de idade. Wendy Dio, esposa e manager do cantor, divulgou nota oficial no site do cantor.

O Music Boulevard lamenta a perda de um Ãcone da música.
REVIEW: Manowar (Credicard Hall, São Paulo/SP, 07/05/2010)
Já fazia 12 longos anos desde que o Manowar esteve no Brasil pela última vez, conforme fez questão de lembrar algumas muitas vezes o baixista e lÃder do grupo, Joey De Maio, durante a apresentação da banda norte-americana em São Paulo nesta sexta-feira (7). Mas para a multidão de fãs que lotou a casa de shows paulistana Credicard Hall, o retorno dos Reis do Metal aos palcos brasileiros teve um gosto um tanto amargo. Isso porque o repertório selecionado pelos músicos foi formado inteiramente pelos discos dos anos 2000: “Warriors Of The World” (2002), “Gods Of War” (2007) e o recente EP “Thunder In The Sky” (2009). Não acredita? Role a página e vá até o final, conferir o setlist. Exatamente: nada de clássicos antigos, aqueles que os Manowarriors tupiniquins estavam loucos para ouvir novamente, depois de tanto tempo. Ao final da apresentação de quase duas horas, ficou nitidamente no ar uma sensação de frustração. Para alguns, inclusive, a sensação era de revolta.
A abertura ficou a cargo dos paulistanos do Kings of Steel, tradicionalmente uma competentÃssima banda cover do Manowar – mas é claro que, nesta apresentação, eles optaram por canções próprias (como aquela que dá nome ao grupo) e por suas versões para clássicos como “Rainbow in the Dark†(Dio). Junte a isso o discurso tÃpico de “estamos aqui para celebrar o verdadeiro metalâ€, aprendido com os mestres, e você tem uma platéia devidamente incendiada, pronta para arrasar. O cenário estava montado, com uma expectativa no ar tão palpável quanto os capacetes vikings de brinquedo que um grupo de manÃacos usava, junto com pinturas faciais de guerra, em homenagem ao tema nórdico que o Manowar tanto gosta.
Depois de um atraso de meia-hora, a faixa “Hand of Doom†abre o tão aguardado show do quarteto – que, nas baquetas, trouxe uma novidade: Donnie Hamzik no lugar de Scott Columbus, em sua primeira vez no Brasil. Columbus anda afastado das atividades do grupo por “problemas pessoaisâ€, sendo substituÃdo regularmente por Hamzik ou pelo antigo baterista Rhino. Foi Hamzik, inclusive, quem gravou as canções de “Thunder in the Sky†e, por isso, era de se esperar que estivesse plenamente familiarizado com músicas como “Die with Honor†e “Let the Gods Decideâ€, que abriram a apresentação em alto estilo, em adrenalina máxima. Mesmo a semi-balada “Swords in the Wind†foi apresentada com tamanha energia que chegou a arrepiar. Aquele era o Manowar que todo mundo queria ouvir, em plena forma, afinados e integrados como sempre. A voz do vocalista Eric Adams, por exemplo, resistiu muito melhor ao tempo do que a de seus pares. Prenúncio de uma noite memorável.
Quando o porta-voz Joey De Maio veio, cerveja em punho, fazer sua tradicional saudação, o Credicard Hall veio abaixo. Imagine então o quanto De Maio não foi aplaudido quando começou a conversar com a galera em português. Um português macarrônico, é claro, mas que foi muito além do “boa noite†e “eu te amo, Brasilâ€. Segundo ele, as garotas brasileiras teriam lhe ensinado frases como “você tem namorado?â€, “você gosta de heavy metal?†e “você está molhadinhaâ€. Nada mais Manowar, leia-se. Para completar o papo, óbvio, nada melhor do que aquela mensagem para todos que não gostam do Manowar ou de heavy metal: FUCK YOU! Momento clássico, seguido do convite para que uma pessoa do público subisse ao palco para tocar guitarra com a banda. “Quem aqui tem bolas para tanto?â€, provocava o músico. Quando um corajoso se voluntariou, tomou uma bronca por estar usando a camiseta “errada†(uma do Iron Maiden ao invés de uma do Manowar), que logo tirou. Entornou (ou tentou) tomar cerveja no estilo Manowar. E ainda recebeu o incentivo de três moçoilas que vieram dos bastidores e que, enquanto o rapaz tocava, tiraram as roupas, rebolando apenas de calcinha e se esfregando nele e umas nas outras. Nem é preciso dizer que os marmanjos deliraram.
Aliás, quando a banda engatou “Die for Metal†(que, é claro, funciona ainda melhor ao vivo do que no disco, como já se podia prever), Joey De Maio praticamente se esqueceu de tocar, já que estava bastante distraÃdo com suas desinibidas acompanhantes, lhe oferecendo todas as partes do corpo. O refrão “they can’t stop us / let ‘em try / for heavy metal / we will die†foi repetido em unÃssono por aquelas milhares de pessoas.
Que baita show se anunciava!
Mas aà o ritmo foi caindo. O Manowar passou a engatar uma seqüência de “The Sons Of Odinâ€, “Sleipnirâ€, “God or Man†e várias outras canções inéditas. Boas músicas, de fato, mas que foram deixando as pessoas mais e mais ansiosas pelos clássicos mais antigos. Mesmo ao longo do tradicional solo de De Maio, com direito a dedilhado flamenco e brincadeirinhas com o público, para ver qual lado fazia mais barulho, era possÃvel ouvir gritos de “Hail and Killâ€.
A apresentação terminou de maneira quase súbita, com a poderosa “Thunder in the Skyâ€, deixando um mal-estar rondando. Joey não demorou a voltar ao palco, anunciando que eles não podiam ir embora e que ainda tinham mais para tocar. O chefão do Manowar deixou claro que agora eles não demorariam mais tanto tempo para retornar ao nosso paÃs. E foi a hora de “Warriors of the Worldâ€, com seu refrão libertador, seguida da pesadÃssima “House of Deathâ€. Sim, agora parecia que os clássicos pré-2000 estavam a caminho. Nada. Para encerrar de vez, veio “King of Kingsâ€, primeiro single do disco “Gods of Warâ€. Todos se reuniram no centro do palco, saudando os brasileiros com os braços levantados e os punhos agarrados. Joey De Maio então procedeu o seu ritual tÃpico de destruição das cordas do baixo. Luzes espocaram. “Good night, São Paulo!â€. E é isso. Saldo? Um show bom. E ponto. Show que poderia ter sido muito melhor. Ficou a sensação cristalina de que algo ficou faltando.
Tudo bem, “Warriors of the World†e “Gods of War†são bons discos. É claro que os brasileiros iriam querer ouvir algo destes dois álbuns, cujas faixas eram até então inéditas nos nossos palcos. Da mesma forma, o EP “Thunder in the Sky†é bombástico, a promessa de que o vindouro “Hammer of the Gods†será ainda mais épico e especialmente pesado. Concordamos quanto a isso. E também sou partidário de que uma banda tem total liberdade artÃstica para escolher o que vai tocar ao vivo, sem precisar se influenciar pela pressão do público. Mas estamos falando de outra coisa. Como diz o mestre Gene Simmons, do Kiss, “o público é nosso patrão. Eles compram ingressos para shows e nossos CDs. Eles é que mandamâ€. Exageros tÃpicos do linguarudo à parte, a questão aqui é fundamentalmente “respeitoâ€.
O Brasil é um território particularmente receptivo para bandas de rock pesado, não é preciso ficar repetindo isso. Mas o mÃnimo que os brasileiros esperam é a retribuição do carinho que oferecem aos seus Ãdolos cabeludos. Ninguém queria um repertório formado apenas por velharias. Longe disso. Mas um show sem nenhuma canção de antes de 2002? E depois de 12 anos sem dar as caras por aqui? Isso é praticamente ignorar o passado, fingir que os fanáticos perdoariam um show dos Stones sem “Satisfaction†ou do Purple sem “Smoke on the Waterâ€. E isso vindo de uma banda que se orgulha e pavoneia de conhecer e cuidar de seu Army of Immortals pessoal. Sei.
Mr.De Maio, que tal trocar aquele interminável solo de baixo por “Haill and Kill†ou “Battle Hymsâ€? Mr.Logan, o que acharia de deixar de lado o solo de guitarra e tocar “Kings of Metal†ou “Metal Warriorsâ€? Sinceramente, acredito que falo por todos quando digo que seria até aceitável que as moças de famÃlia ficassem quietinhas no camarim, totalmente vestidas e tudo mais, enquanto aquela mise-èn-scene seria substituÃda por “Blood of My Enemiesâ€, “Kill with Power†ou “Black Wind Fire and Steelâ€. E isso falando apenas das mais óbvias. E isso sem pensar em tirar qualquer das músicas mais recentes do set. O resultado seria completamente diferente.
Quando o palco se apagou e “Army of the Dead – Part II†começou a tocar nos alto-falantes, ainda havia um pingo de esperança. Mas aà as luzes da casa se acenderam. Os roadies subiram e começaram a desmontar a bateria. As cortinas se fecharam. E uma vaia, por incrÃvel que pareça, se levantou em meio ao público. Do fundão, ouviu-se um grito de “Maiden! Maiden!â€, que chegou até a surpreender membros da equipe de gravação do Manowar. “Estou indignado, isso é uma vergonha!â€, gritava um dos fãs. “Joguei 150 reais no lixoâ€, lamentava-se outro. “Temos que encher o site deles de comentários, isso não pode ficar assim!â€, convocava um dos mais exaltados. No fim das contas, uma banda com fãs tão fiéis e dedicados quanto o Manowar deveria perceber que, quando uma performance termina e deixa o público reagindo desta forma, é sinal de que alguma coisa não deu muito certo. Se eles voltarem ao Brasil tão depressa quanto prometeram para rever o que Joey De Maio chamou de sua famÃlia, talvez a reação não seja assim tão calorosa…
LINE-UP
Eric Adams – Vocal
Karl Logan – Guitarra
Joey De Maio – Baixo
Donnie Hamzik – Bateria
SETLIST
HAND OF DOOM
CALL TO ARMS
DIE WITH HONOR
SWORDS IN THE WIND
(KARL LOGAN SOLO)
LET THE GODS DECIDE
DIE FOR METAL
THE SONS OF ODIN
SLEIPNIR
(JOEY DE MAIO SOLO)
GOD OR MAN
LOKI GOD OF FIRE
THUNDER IN THE SKY
Bis
WARRIORS OF THE WORLD (UNITED)
HOUSE OF DEATH
KING OF KINGS
Ouça “Why Try”, o novo single do Limp Bizkit

A banda Limp Bizkit já liberou o seu novo single do álbum de inéditas chamado Gold Cobra.
“Why Try” pode ser ouvida no site oficial da banda, é só CLICAR AQUI.

Clique abaixo e assine nosso Feed!
